ALIMENTOS DIETÉTICOS PARA DIABÉTICOS

O mercado oferece um número cada vez maior de produtos rotulados como “DIET”, “LIGHT” ou “DE BAIXA CALORIA” e a possibilidade de consumir doces, balas, refrigerantes, etc., pode ser uma opção para os diabéticos, principalmente crianças e adolescentes. No entanto, a noção de que o uso destes alimentos é liberado ou mesmo sem restrição, ou que qualquer produto dietético ou alimentos modificados possam ser consumidos livremente pelos diabéticos, é falsa. É preciso ter cuidado para não confundir alimentos dietéticos ou alimentos modificados com alimentos para diabéticos. Os alimentos de produção nacional rotulados como diet são classificados como Alimentos para Fins Especiais, “especialmente formulados e/ou produzidos de forma que sua composição atenda a necessidades dietoterápicas específicas de pessoas com exigências físicas, metabólicas, fisiológicas e/ou patológicas particulares”

(Portaria Nº 234 - Secretaria de Vigilância Sanitária/MS). Portanto, um alimento com redução no teor de sódio atenderá a uma clientela específica – indivíduos hipertensos - e poderá ser rotulado como diet, mesmo que na sua composição esteja incluído açúcar.

Já os alimentos light podem ser definidos como aqueles que, em relação ao produto convencional, apresentam uma redução de no mínimo 25% do VET. Essa redução pode ser atingida a partir da exclusão e/ou modificação de um ou mais de seus ingredientes. Os produtos light, portanto, podem ou não conter açúcar e gordura.

Alguns desses produtos têm valor calórico muito baixo, como, por exemplo, refrescos, refrigerantes e gelatinas com adoçantes, que podem ser opções para os diabéticos. Outros têm valor energético reduzido em relação ao tradicional mas, ainda assim, essas calorias devem ser consideradas no cálculo do VET de cada indivíduo, como nos casos do requeijão e da margarina light.

Concluindo, tanto os produtos diet como os light só poderão ser utilizados após análise de sua composição para verificar se são ou não adequados para o consumo do diabético. O diabético deve ter o conhecimento de que os ingredientes do produto

podem ser calóricos e devem ser incluídos no cálculo da dieta, além de existir a possibilidade de conter sacarose ou glicose mesmo em teores menores que os produtos originais, o que contra-indica o seu uso.

Conduta para o uso seguro destes alimentos:

a) Só comprar alimentos com rótulos que especifiquem:

* análise calórica e nutritiva;
* porcionamento/valor nutritivo por porção;
* descrição dos ingredientes;
* tipo(s) de adoçante(s) e quantidade(s);
* validade do produto;
* registro no órgão competente;
* recomendações e advertências.

b) Procurar orientação quanto ao uso do alimento (horário, qual o grupo de substituição, o porcionamento correto e a freqüência de uso). Os produtos dietéticos ou modificados devem ser consumidos em quantidades adequadas, pois o exagero na ingestão pode ocasionar um consumo energético muitas vezes semelhante ao convencional, ou até maior, prejudicando o controle glicêmico. Lembrar que o consumo máximo recomendado refere-se ao teor seguro de consumo do(s) adoçante(s), não estando relacionado com o valor energético. É fundamental, portanto, procurar a orientação do nutricionista.

c) Considerar que os adoçantes usados nestes alimentos têm limites máximos recomendados para consumo. Além disso, lembrar que produtos com Sorbitol, Manitol ou Xilitol, como balas, por exemplo, se consumidos em excesso podem provocar reações gastrointestinais adversas, tais como diarréia osmótica e flatulência.

d) Estar atento ao fato de que, para alcançar a mesma aparência e textura do alimento convencional, as indústrias podem aumentar o teor de outros componentes, como, por exemplo, a gordura em chocolates, aumentando o valor calórico com reflexo na glicemia, caso sejam usados sem o devido controle.

e) Cuidar para não substituir, rotineiramente, alimentos nutritivos e importantes para a saúde por alimentos dietéticos que cumprem apenas papel de agradar o paladar, como, por exemplo, trocar frutas e refrescos naturais por refrigerantes dietéticos.

f) Considerar os alimentos dietéticos como opção importante, principalmente para ocasiões especiais nas quais eles funcionam como elementos que facilitam a integração e participação do diabético em eventos (festas, aniversários, almoços festivos, piqueniques, passeios de escola, colônias de férias).

g) Os produtos estrangeiros, que estão continuamente sendo oferecidos no mercado nacional, não seguem necessariamente as mesmas regras que os nacionais. Portanto, a análise dos rótulos deve ser efetuada com o mesmo rigor que o recomendado para os produtos brasileiros. Além disso, devido as diferentes legislações, um produto que é rotulado como diet no seu país de origem pode ser considerado light de acordo com a legislação do Brasil e vice-versa.

h) Ministério da Saúde, através da Secretaria de Vigilância Sanitária, vem estudando e avaliando medidas que resultem em maiores informações para o consumidor, como, por exemplo, a regulamentação referente à “informação técnica complementar”. Essas medidas incluem informes a respeito do conteúdo dos nutrientes, comparações com o produto convencional e atributos específicos, tais como, não contém açúcar, reduzido em calorias, etc.. Estas indicações são de fundamental importância para dar maior segurança ao consumidor que deseja utilizar os produtos.

April 3rd, 2008 - Categoria: Dieta | |

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