Diabetes melitus insulino dependente

A incidência de cada tipo de diabetes varia muito em todo o mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 10% de todos os pacientes diabéticos apresentam DMID, com uma incidência de 18 por 100.000 habitantes por ano. Isto é similar à incidência encontrada no Reino Unido (17 por 100.000). A incidência de DMID na Europa varia com a latitude. As taxas mais elevadas ocorrem no norte da Europa (Finlândia, 43 por 100.000) e as mais baixas no sul (França, Itália e Israel, 8 por 100.000). A única exceção a esta regra é a pequena ilha da Sardenha, próximo à Itália, que apresenta uma incidência de 30 por 100.000. Entretanto, as taxas de incidência relativamente baixas de DMID no sul da Europa são, sem dúvida, muito maiores do que as taxas no Japão, que atingem apenas cerca de 1 por 100.000 habitantes.

Com o DMID, a taxa de concordância para gêmeos idênticos é de apenas 25 a 50%; isto sugere que as influências ambientais, bem como as genéticas, possuem um papel importante na doença. Entre tanto, os fatores genéticos no DMID são bem caracterizados e relacionam-se com os genes que controlam a resposta imune. Há considerável evidência de que o DMID seja uma doença auto-imune da célula b do pâncreas. Os anticorpos para componentes das células das ilhotas são detectados em até 80% dos pacientes com DMID, logo após o estabelecimento ou antes do início da doença clínica. Os anticorpos são direcionados para antígenos ligados à membrana ou ao citoplasma, incluindo anticorpos para células da ilhota, auto-anticorpos para insulina, anticorpos para as descarboxilases 65 e 67 do ácido glutâmico (GAD-65 e -67), anticorpos para a proteína 65 de choque térmico (HSP-65) e anticorpos para a albumina sérica bovina

Embora seja atualmente aceito que estes anticorpos estejam correlacionados com a expressão clínica do DMID, há controvérsia sobre se a presença, ou não, de auto-anticorpos pode prenunciar desenvolvimento do diabetes clínico. A maioria dos estudos prospectivos destinados a determinar se o DMID pode ser prevista com base em anticorpos foi realizada em parentes saudáveis de primeiro grau de pacientes diabéticos. Estes estudos determinaram que a presença de auto-anticorpos para insulina (IAA) confere apenas um pequeno risco para o desenvolvimento de DMID. Por outro lado, a presença de título elevado de anticorpos para a célula da ilhota (ICA) e de anticorpos GAD, ou de ICA combinados aos IAA, confere um risco muito alto de desenvolvimento de DMID nos parentes de primeiro grau.

Como a maior parte dos estudos que visavam prever o desenvolvimento do DMID foi realizada em parentes de primeiro grau de indivíduos diabéticos, não se sabe se a ocorrência de ICA em indivíduos da população geral confere um risco similar para o desenvolvimento do diabetes clínico. A maioria dos dados disponíveis indica que a presença de ICA em indivíduos da população geral está associada a menor risco de desenvolvimento de DMID. No entanto, como nos parentes de primeiro grau de pacientes com DMID, talvez presença de mais de uma forma de auto-anticorpo nos indivíduos da população geral possa ser um previsor mais potente do desenvolvimento do diabetes clínico. Os indivíduos com DMID também tendem a apresentar anticorpos direcionados par outros tecidos endócrinos, inclusive para as glândulas supra-renais, paratireóides e tireóide. Eles também apresentam uma incidência maior do que a normal de outras doenças auto-imunes.

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