DIABETES E GRAVIDEZ
É importante frisar que Diabetes é a doença médica mais comumente encontrada durante a gestação, sendo responsável por índices elevados de morbimortalidade perinatal, especialmente devido aos fetos muito grandes (macrossômicos) e a presença de malformações fetais (SCHMIDT & REICHELT, 1999).
O Diabetes gestacional é uma condição de intolerância aos carboidratos, de graus variados de intensidade, caracterizado pelo seu início ou seu primeiro reconhecimento durante a gestação, podendo ou não persistir após o parto.
Sendo assim, as mulheres com diabetes podem ter uma gestação normal e dar à luz a crianças sadias, desde que tomem certas precauções. Quanto mais o metabolismo da mãe diabética desviar-se do normal durante a gestação, maior será o risco para o desenvolvimento do bebê. Isto porque o bebê e a mãe dividem o mesmo suprimento de sangue, e os níveis de glicose de um serão idênticos aos níveis do outro. Enquanto um adulto pode tolerar níveis periodicamente altos de açúcar no sangue, estes níveis podem representar uma séria ameaça ao desenvolvimento do bebê (DE LA ROSA, ROQUE & PHILIPP, 1998).
Um controle, portanto, é essencial, mesmo antes da concepção, sendo recomendável que se planeje a gravidez. As primeiras 7-8 semanas depois da concepção são particularmente importantes, porque neste período vários órgãos essenciais da criança estão sendo formados.
A paciente com Diabetes, tratada com insulina, deve esperar uma mudança na sua necessidade de insulina durante a gravidez. Possivelmente, haverá uma necessidade de um pouco menor de insulina no começo da gravidez e uma necessidade maior com o decorrer do tempo (LIMA, 1998). Depois do nascimento, esta quantidade de insulina voltará aos níveis usuais.
Conforme MOSES, MOSES & DAVIS (1998), as mulheres diabéticas podem amamentar, desde que tomem precauções contra a hipoglicemia, reduzindo a dose de insulina ou ingerindo mais alimentos, especialmente carboidratos. A gravidez também aumenta a necessidade de outras substâncias como cálcio, ferro e vitaminas.
A incidência de anomalias congênitas em crianças de mães diabéticas está relacionada com a presença de níveis aumentados de glicose no início da gestação (REICHELT et al, 1998).
Segundo Langer et al (2000), a ocorrência do DG varia de 0,15 a 15,3%. Estima-se que, em 4% das gestantes, sendo mais comum naquelas com fatores de risco.
Nos fatores de risco incluem-se:
* Idade materna superior a 25 anos;
* Baixa estatura (<1,51cm);
* Presença de hipertensão arterial ou eclampsia;
* Gordura de localização abdominal;
* História pessoal de diabetes gestacional previamente (surgimento de DG em gravidez prévia constitui o fator de risco mais significativo, já que implica uma chance de 38-66% para recidiva do problema);
* Presença de parentes de 1º grau com diabetes;
* Gestações anteriores com bebês muito grandes ou com malformações;
* Retardo de crescimento do feto;
* Morte fetal ou neonatal sem causa aparente;
* Obesidade ou aumento excessivo de peso na gravidez atual;
* Altura uterina maior do que a esperada para a idade da gestação;
* Crescimento acentuado do feto;
* Presença de grande quantidade de líquido amniótico;
* História de gravidez com recém-nascidos grandes para a idade gestacional ou com mais de 4 kg a termo;
* História de morte natal ou neonatal.
Lembrando que estes fatores de risco estão presentes em 50% das gestantes que desenvolvem DG, além do mais, é necessário que a mulher tenha conhecimento dos mesmos e faça um bom controle pré-natal, principalmente durante a 24ª e 28ª semanas de gravidez, o que ajudará a um prognóstico logo no início do DG.
O tratamento inicial deste tipo de Diabetes, segundo a Drª Ingeborg Christa Laun, consiste em: estabelecer uma dieta adequada para controlar a glicemia da mãe, proporcionando um adequado aporte nutricional para o feto; a realização de uma atividade física deve ser incentivada; o controle glicêmico deve ser realizado através da monitorização domiciliar das glicemias capilares; o tratamento com insulina deve ser instituído se não for possível manter níveis de glicemia adequados somente com a dieta ou se ocorrer crescimento fetal exagerado.
As gestantes que apresentam fatores de risco não só devem ser rastreadas para se acompanhar de perto o comportamento da glicemia durante a gravidez, como deverão ser encaminhadas para centros mais capacitados para que, tanto a mãe quanto o bebê, tenham a devida assistência.
O emprego de anti-diabéticos orais na gravidez é contra-indicado, assim como deve ser evitado o uso de adoçantes à base de sacarina.