Reações adversas das sulfoniluréias
Os efeitos adversos das sulfoniluréias são raros, ocorrendo em cerca de 4% dos pacientes que recebem as substâncias de primeira geração e talvez em uma freqüência discretamente menor nos pacientes que recebem os agentes de segunda geração. Logicamente, as sulfoniluréias podem causar reações hipoglicêmicas, inclusive coma. Este é um problema particular nos pacientes idosos com função hepática ou renal comprometida que estão recebendo sulfoniluréias de ação mais longa. As sulfoniluréias podem ser classificadas em ordem decrescente de risco de provocar hipoglicemia com base em suas meias-vidas. Quanto mais longa a meia-vida, maior possibilidade de um agente induzir a hipoglicemia. A hipoglicemia grave no idoso pode manifestar-se como uma emergência neurológica aguda que pode mimetizar um acidente vascular cerebral. Assim, é importante verificar a glicose plasmática de qualquer pa-ciente idoso que se apresente com sintomas neurológicos agudos. Devido à meia-vida longa de algumas sulfoniluréias, pode ser necessário tratar um paciente hipoglicêmico idoso por 24 a 48 horas com uma infusão intravenosa de glicose.
Inúmeras outras substâncias podem potencializar os efeitos das sulfoniluréias, principalmente os agentes de primeira geração, por inibirem seus metabolismos ou excreção. Algumas substâncias também deslocam as sulfoniluréias das proteínas de ligação, aumentando assim, transitoriamente, a concentração da fração livre. Estas incluem outras sulfonamidas, clofibrato, dicumarol, salicilatos e fenilbutazona. Outras substâncias, inclusive o etanol, podem aumentar a ação das sulfoniluréias por provocarem hipoglicemia.
Os outros efeitos colaterais das sulfoniluréias compreendem náusea e vômito, icterícia colestática, agranulocitose, anemias aplástica e hemolítica, reações de hipersensibilidade generalizada e reações dermatológicas. Cerca de 10 a 15% dos pacientes que recebem estas substâncias, principalmente a clorpropamida, desenvolvem um rubor induzido por álcool similar àquele gerado pelo dissulfiram. As sulfoniluréias, em especial a clorpropamida, também podem induzir hiponatremia por potencializarem os efeitos do hormônio antidiurético sobre o duto coletor renal.
Este efeito colateral indesejável ocorre em até 5% dos pacientes; é menos freqüente com a gliburida e a glipizida. Este efeito colateral foi empregado para propiciar vantagem terapêutica nos pacientes com formas brandas de diabetes insípido.
Uma questão não solucionada é se o tratamento com sulfoniluréias está associado a mortalidade cardiovascular aumentada; esta possibilidade foi sugerida por um grande estudo multicêntrico (o University Group Diabetes Program ou UGDP). O UGDP destinou–se a comparar o efeito da dieta, agentes orais (tolbutamida ou fenformina) e a terapia com insulina em dose fixa sobre o desenvolvimento de complicações vasculares no DMNID. Durante um período de 8 anos de observação, os pacientes que receberam tolbutamida apresentaram uma taxa duas vezes maior de morte cardiovascular do que os pacientes tratados com placebo ou insulina. Seguiu-se um debate de 10 anos sobre a validade desta conclusão, pois a observação era inesperada, o estudo não se destinava a testar esta questão e todo o excesso de mortalidade aconteceu apenas em três centros. Embora nenhum estudo comparável tenha refutado por completo esta observação, a maioria dos médicos continua a utilizar fármacos hipoglicemiantes orais, visto existirem poucas opções terapêuticas diferentes da insulina para o paciente com DMNID que falhou com a terapia dietética.
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June 5th, 2008 at 2:34 pm
Olá, sou estudante de fisioterapia e tenho um trabalho de Bioquímica para fazer sobre diabete, porém, suas reações, enzimas e o lado metabólico da questão, seria de muita utilidade caso vocês me indicassem algum livro, ou site que eu pudesse encontrar, pois estou encontrando muita dificuldade para achar sobre o tópico.
grata.