TRATAMENTO DA DIABETES COM INSULINA
A insulina é a base do tratamento de quase todos os pacientes com DMID e de muitos pacientes com DMNID. Quando necessário, pode ser administrada por via intravenosa ou por via intramuscular; entre-tanto, o tratamento a longo prazo baseia-se predominantemente na injeção subcutânea do hormônio. A administração subcutânea de insulina difere da secreção fisiológica da insulina em pelo menos duas importantes modalidades: a cinética não mimetiza a elevação rápida e o declínio normal da secreção de insulina em resposta à ingestão de nutrientes e a insulina difunde-se dentro da circulação periférica em vez de ser liberada dentro da circulação porta; o efeito preferencial da insulina secretada nos processos metabólicos hepáticos é assim eliminado. Contudo, quando este tratamento é realizado com cautela, obviamente se obtém um sucesso considerável.
As preparações de insulina podem ser classificadas de acordo com suas durações de ação em preparações de ação curta, interme-diária ou longa, e com a espécie de origem – humana, suína, bovina, ou uma mistura de bovina e suína. A insulina humana está agora amplamente disponível como resultado de sua produção por técnicas de DNA recombinante. A insulina de porco difere da insulina humana em um aminoácido (alanina em vez de treonina no carboxi-terminal da cadeia B, i.e., na posição D30), e a insulina bovina difere por duas alterações adicionais da cadeia A (treonina e isoleucina nas posições A8 e A10 são substituídas por alanina e valina. respectivamente).
Antes da metade da década de 70, as preparações de insulina comercialmente disponíveis continham pró-insulina ou substâncias semelhantes ao glucagon, polipeptídios pancreáticos, somatostatina e peptídios intestinais vasoativos. Estes contaminantes foram evitados com o advento de insulinas suínas com monocomponentes. No final da década de 70, intenso trabalho foi realizado no desenvolvimento de insulina humana biossintética. Isto resultou nas primeiras doses de insulina humana administradas em voluntários no verão de 1980.
As propriedades fisico-químicas das insulinas humana, suína e bovina diferem devido a suas diferentes seqüências de aminoácidos. A insulina humana, produzida com o uso de tecnologia de DNA recombinante, é mais solúvel que a insulina de porco em soluções aquosas, devido à presença de treonina (em vez de alanina), com seu grupamento hidroxila extra. Todas as preparações são atualmente supridas em pH neutro, o que melhora a estabilidade e permite o armazenamento por vários dias em temperatura ambiente.